Vó Vanda e Carol Pirespor carol pires

para mim, nordeste e vó sempre foram uma das mais perfeitas combinações da vida. é uma região amável, receptiva e calorosa, ou seja, tudo que uma vó é também! minha avó materna veio de lá, do ceará, terra linda e de puro sol! ela, como a grande maioria dos nordestinos nas décadas passadas, veio para são paulo com seus filhos tentar a vida na ‘cidade grande’, após uma separação com o marido que não queria muito saber de respeitar a família. aqui, a família cresceu; os filhos casaram e a deram netos. ‘quando deus pensou nos netos, ele se espelhou nos anjos’, diziam suas anotações – achadas em uma bíblia dia desses. e foi aí que pude conhecer uma das pessoas mais brilhantes da minha vida: dona vanda.

leão de chácara, que nunca abaixou a cabeça e sempre lutou pelo bem dos outros e de si. um dia, retornou para a sua cidade e viu que nessa são paulo cinza não há muito amor. mas nunca, jamais, deixou de estar presente – mandava cartas e mais cartas, sempre recheadas de amor e muita fé! e com a vida é repleta de marés malucas, encarei a separação dos meus pais, auge dos meus 14 anos – momento em que você é adolescente e detesta o mundo. tive problemas para entender essas mudanças e, sem saber muito como, fui parar lá em fortaleza.

a dona vanda estava à minha espera, para domar minha rebeldia. por um ano com ela morei; levava altas broncas, recebia os melhores conselhos e cuidados – ela se encarregava do meu cabelo semanalmente, cada dia com um produto novo. resolvi voltar, pois queria mostrar aos meus pais, amigos, que finalmente entendia como a vida funcionava. sempre vivendo um dia de cada vez, e sempre aproveitando tudo o que a vida tem a oferecer. e aí voltou a nossa relação de amor à distância, com cartas, ligações, visitas…

aposentada, ela nunca deixou de trabalhar. católica fervorosa, ajudava na igreja, nos asilos, as mãe solteiras e ainda cuidava da família. para cada atividade, ela tinha uma função e cronogramas. levava muito a sério!

ano passado, o los hermanos resolveu fazer uma turnê de reencontro da banda, e uma das cidades escolhidas foi fortaleza. óbvio que aproveitei a união da banda que mais admiro – com a cidade mais linda – para passar um fim de semana lá, com a minha vó e mãe, que depois de um tempo também percebeu que a cidade cinzenta não tem muito amor para oferecer. foi um fim de semana sensacional: praia, colo de vó e mãe, sorvete 50 sabores, los hermanos na beira da praia e… voo perdido. às 3 da manhã, a dona vanda entra no aeroporto para salvar nossas vidas e dizer: ‘calma, tudo vai ficar bem, amanhã vocês estarão de volta’. e deu certo! como sempre, serena, forte e guerreira!

dois meses depois, sei lá o porquê (porque nunca saberemos o motivo real dessas coisas da vida), ela se foi. não tinha doença, não tinha preguiça, não tinha medo. mas se foi… para outra missão. ainda não fez um ano, a ferida não se fechou – e talvez nunca se feche -, mas é sempre muito bom lembrar que eu sim tive um anjo em minha vida!

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avospor lívia machado

vivo de piada e metáforas (supostamente cômicas) porque minha vida sempre foi cheia de graça. meus avós maternos são espaçosos dentro do coração. quando criança, parecia que só eles (além dos meus pais) caberiam ali. mas depois a gente aprende a capinar para ampliar o latifúndio cardíaco. e as belezuras são generosas e acolhedoras.

dona doly (leia-se dôli), uma cozinheira irretocável, é a (ir)responsável pelo meu paladar apurado. foi com ela que aprendi que receita se cria, com a barriga no fogão e na pia. uma xícara e um tantinho. duas colheres e mais um pouquinho. ela não precisava resguardar seus segredos. há quem tente, mas ninguém consegue aquecer, adoçar, salgar e forrar o estômago alheio da mesma maneira. um trunfo. não gosto de doces de padarias, e quase sempre me recuso a comer bolos em aniversários. já sei que nada vai me apetecer, bobagem tentar. quem prova um bolo embrulhado, nêga maluca, preto e branco ou formiguinha nunca vai elogiar um padeiro ou confeiteiro bem intencionado.

os amigos e namorados que já provaram endossam o meu argumento. e ela não mede esforços para agradar ninguém. se (na maldade) eu comentar que estou com desejo de um bolo de coco, ou carne moída com batata, arroz e feijão preto, a mágica acontece em menos de dois dias. o sonho se transforma em prato. e o esquema é delivery. ela deixa o quitute na portaria, esperando que eu volte do trabalho para apanhar.

mais do que o talento inquestionável de me fazer crescer para os lados (é fundamental desenvolver o autocontrole) – com sal e açúcar – ela é uma fonte de paz. temos uma espécie de wi-fi. nossa rede se comunica com ou sem distância, com ou sem depoimentos. basta passar a mão no telefone e falar: “vó?” para eu me entregar. nosso coração bate em compasso desde o dia seis de janeiro de 1985. e veja bem que dádiva: eu sou a única neta mulher. o resto é tudo macho. é quase o mesmo mimo que recebe o filho caçula – outra categoria que a vida me enquadrou.

quando criança, eu só aceitava o colo de vó e de mãe. quem tentasse delas me tirar, ficava semisurdo. eu gritava até ter de volta o que escolhi. talvez por isso eu nunca tenha feito questão de jogar na loteria. minha mega-sena foi familiar. doly me ensinou a fazer bonequinhas em papel sulfite. umas bonequinhas que após recortadas, saiam de mãos dadas. eu nunca tive talento pro rabisco, a não ser pra escolher o desenho que estamparia minha pele. aliás, a primeira tatuagem foi recebida por ela com certa estranheza. sempre avisei que não pouparia meu corpo da tinta. quando fiz o primeiro quadro nas costas, liguei para avisá-la. expliquei que aquilo, na minha cabeça, era obra de arte e não agressão ou ofensa. a inês já era morta, mas eu queria o atestado, a provação dela. e ganhei. não à toa, segui em frente. a cada novo desenho ela pergunta: “mais um? o que é isso ai? ai, lili, só você”. apesar de não compreender exatamente qual a graça em sentir dor pra virar um outdoor, dona doly sempre exibe meu corpinho para as amigas. com orgulho, sabe como é que é. mas suponho que eu seja a única tatuada que ela aceita. para o resto, torce o nariz.

ela sempre foi companheira. recolhia sem pressa todas as inúteis conchas do mar que eu queria guardar pra sempre nos bons tempos de solemar, na praia grande, litoral de são paulo. sentava no chão de areia mole, aquela que fica à beira mar, e fazia castelos incríveis ao meu lado. forrava a geladeira de gelinho, ou chupchup. maracujá e limão para o dan, meu irmão; chocolate e coco pra mim.

tudo caseiro, tudo feito de uma cuca maluca. uma delícia sem limites. em sua cozinha nunca faltou o meu cafuné gastronômico: sonho de valsa. foi com minha avó que aprendi a estratégia de me secar e dar menos trabalho à toalha. após desligar o chuveiro, passava a mão pelo corpo eliminando o excesso de água. hoje, me pego reproduzindo o ensinamento pra matar a saudades e deixar o banho rindo à toa.

das poucas frustrações que tenho nos 28 bem vividos, duas são impossíveis de corrigir nesta vida. uma delas era ter algum talento musical. mas só me gabo do dom de fazer bons amigos e reuni-los em uma mesa de bar. até na parte artística dona doly conseguiu me compensar.tenho uma música feita pra mim. a autoria é dela, claro. e diz assim: “lili é uma boneca, que chora, que fala, que canta e que ri. ai lili, ai lili, ailou”. em tempo: no último aniversário dela, em setembro de 2012, ela me pediu de presente uma boneca de pano. “é sério, vó? mas por qual razão você quer uma boneca?” ela: “nunca tive, sempre sonhei em ter.”

dois anos sem você no mundo, minha vozinha
a saudade é pra sempre

vopor laura naime

a vó tinha um nome feio. hermantina. her-man-ti-na. só ela gostava, era uma homenagem a hermes da fonseca, aquele presidente de quem ninguém se lembra. nós, os netos (quase 40, imagina), a chamávamos de vó gorducha. eu nunca soube quem deu o apelido, mas fazia sentido. não que ela fosse gorda, mas tinha o colo mais gostoso desse mundo, daqueles que curam tristeza de criança melhor que sorvete.

a vó não cozinhava muito bem, não. ela punha muito sal na comida, e a gente tinha que comer verdura. mas ninguém cortava uma couve tão fininha quanto a dela (embora eu nem goste de couve). e ela fazia mingau de chocolate. e deixava a gente atravessar a rua sozinho pra ir até a padaria da esquina comprar chiclete e flan de caramelo.

a vó também não tinha uma casa grande, nem chique. era casa de vó, que ela foi construindo meio pros lados conforme o salário de professora primária ia deixando. mas tinha quintal, e tinha mangueira pra gente subir, e tinha um quartinho nos fundos onde uma época dormia o cachorro, e que depois nós pintamos todo colorido e onde montamos o “clube da alegria”. e nos dias de chuva a gente montava castelos de cartolina na sala, e criava peças de teatro pra apresentar na noite de ano novo, quando a casa ficava lotada e as crianças comiam sentadas no chão com o prato no colo.

a vó tampouco dava presentes caros. mas os presentes dela vinham em forma de histórias à noite, a da cidra, a do bicho folha. em forma de um amor enorme, de um carinho na hora certa, um abraço apertado, um beijo, um pouquinho de colo.

a vó teve uma vida difícil. ficou viúva cedo, com 12 filhos pra criar. minha mãe contava, e eu nunca esqueci, que ela costurava sacos de pão pra fazer cadernos e distribuir pros alunos que tinham ainda menos que ela. mas nunca ouvi dela uma reclamação, um lamento que fosse.

a vó se foi há 12 anos, aos 89. a última vez que a vi foi no dia 15 de novembro de 2000, eu tinha ido me despedir. nós duas sabíamos que era a última vez que nos víamos. a gente sentou em frente à tv, em silêncio, de mãos dadas, e ali ficamos por muito tempo. era amor o que tinha naquelas mãozinhas, que eu fecho os olhos e ainda consigo sentir.

eu estava longe quando ela morreu. me contaram que a última coisa que disse foi “cantem para mim, minhas filhas”. e assim ela se foi, rodeada pelas filhas e suas vozes. me contaram também que ela disse, pouco antes, que não se arrependia de nada, e que faria tudo de novo. eu acredito. eu faria tudo de novo também, vó. te amo, sempre.

montagempor eduardo carvalho

já faz alguns anos que a benedita, também conhecida como vó dita, vem bradando aos quatro ventos que não ia chegar aos 80. “meu filho, acho que não chego lá. minha osteoporose e minha dor nas pernas não vão deixar”. a risada depois da frase era inevitável.

observando as vezes em que isso foi dito pela dita, talvez tenha sido um pedido subliminar para que uma grande festa fosse feita quando ela entrasse na oitava década. se foi isso, ela conseguiu! é só ver a festa que foi feita pra ela. resultado da reunião dos oito filhos que se dedicaram e se reuniram algumas vezes em encontros quase que secretos para debater a comemoração. em reuniões tão intensas quanto aquelas realizadas em grandes empresas para discutir e solucionar grandes problemas – só quem é um ‘faria’ ou conhece um ‘faria’ é capaz de entender e imaginar como pode ter sido.

mas vamos falar da benedita. com seus braços fortes e sua voz de soprano, acolhe todos que se aproximam dela. com seus dedinhos tortos, ainda é daquelas que telefona para os filhos. os mesmos dedinhos que na juventude operavam todas as ligações feitas em santa branca, no interior de são paulo.

os mesmos dedos que queriam escrever uma placa com os dizeres “vendem-se ovos de godorna”, que seria pendurada na porta da casa da rua mariana, em jacareí. talvez, se tivéssemos deixado na época, as vendas seriam um sucesso.

filha de índia, passou para os filhos e netos a herança do sangue quente, temperamento acentuado com a mistura do sangue espanhol do vô joaquim. criou os filhos, com muitas dificuldades. mas eles cresceram e não a abandonaram. viu os netos se tornarem adultos e a terceira geração surgir.

empolgada com a vida, com a hidroginástica e com as sessões de acupuntura, quer ser mais independente do que já é. Seja nas opiniões, algumas vezes ácidas, doa a quem doer, seja nos passos curtos e saltitantes, que quase sempre são acompanhados com um cantarolar baixo e afinado.

tudo bem que as músicas às vezes lembradas por ela não são das melhores. vide a famosa “então é natal”, da simone, que embala nossas festividades desde 1995. natais em que não podem faltar o famoso bingo, que, ano após ano, é marcado de polêmicas, gritaria e confusão. principalmente quando ela não bate uma quina sequer. pior que criança.

80 anos. você chegou lá, vó dita. já tem 80 anos e alguns dias.

talvez o vô joaquim tenha perdido de propósito a disputa “quem chega primeiro aos 80”, se houvesse uma, claro! na teoria, ele chegaria e ainda estaria te chamando carinhosamente de “minha capivara véia”. talvez ele tenha feito isso de propósito. o motivo? pra deixar que a senhora tivesse esse privilégio de comemorar a data e visse o quanto é amada pelos seus filhos, seus netos e bisnetos. por nós. viva a dona dita. parabéns, vó!

* texto lido na festa de 80 anos da vó dita

por felipe van deursen

anna foi obrigada a ir numa festa. jayme estava lá, de olho em outra, “linda”. mas caiu de quatro foi pela anna. flertaram por 3 anos, afinal, era 1950. até que em 1951 anna foi com a família de navio para a itália. dezoito dias de travessia em um navio pequeno, para passar 8 meses na europa (um mês em capri, outro na frança e o resto do tempo perambulando na península. coisinha à toa). anna fez 20 anos a bordo e estava bem. foi sincera com ele, era só um namorico, sem compromisso. em todo esse tempo, mandou só um postal.

ao voltar ao brasil, o pai dela, figurão na colônia, passou a receber fugidos e egressos da guerra (aquela mesma). numa dessa, anna se encantou por um sujeito 9 anos mais velho, cheio de histórias e um tiro na perna. e ela tinha um certo xodó por homens que mancavam. mesmo sem se dizer apaixonada, ela resolveu se casar. mesmo com os poréns levantados pelo pai (“ele tem personalidade forte como você, ele vai carregar a guerra sempre consigo” etc.), ela resolveu se casar. afinal, ela se via morando na Itália, com ele. ficaram noivos no réveillon de 1952-3. houve uma festa para amigos e família – e quem pagou o pato foram os cachorros. uivos, latidos tremidos, bombas e estouros micaram o evento, trazendo sons de revolução ao jardim américa. de guerrilha nada havia. eram dois rapazes arruaceiros rodando a praça de carro e estourando fogos caramuru bem ao lado da casa. um deles era o jayme. anna teve raiva dele e achou o noivo um bobo, que não falou nada no episódio.

ele queria casar em maio. remarcaram para setembro. viram apartamento. mas aí, um dia, às 6h30, anna chamou o pai e disse que não queria e que não tinha um porquê. teve apoio (mas não tanto da mãe), devolveu o anel ao noivo e em troca ganhou uma resposta raivosa. foi mal vista. o assunto correu rodas. e jayme ouviu. voltaram a sair, ficaram noivos e se casaram em junho de 1954. estão juntos até hoje.

da minha avó, que ficou noiva duas vezes no mesmo ano na década de 1950, aprendi que mulheres podem ser brutalmente instáveis. do meu avô eu devo ter herdado o gosto por fogos de artifício. e a noção de que reconquistar às vezes pode ser melhor que conquistar.

por maria luzia romano mininel

se minha avó fosse viva, imaginem, teria completado 111 anos. essa senhora, de boca aberta ao ganhar uma panela de pressão, é a dona yolanda, mãe da minha mãe, que está ao lado dela.

não pensem que esse presente foi em vão, nele era preparado o melhor feijão que lembro ter comido. ah! mas inesquecível era mesmo aquele café com leite, que coisa boa, tão simples acompanhado do pão, trazido da padaria quase que simultaneamente ao preparo do café, e a manteiga até tinha cheirinho, hum….

essa simplicidade, esse carinho com a comida – próprio das famílias italianas – fizeram momentos de felicidade em minha vida.
obrigada, vó!

para todas desse mundo

por gabriel toueg

já são quase dez anos sem ela… lembro de quando ia fazer meu bar mitzvá (que acabei não fazendo!) e tive que entrevistá-la sobre a família para montar a árvore genealógica e algumas páginas sobre os toueg… mas aos 13 anos a gente não tem muita experiência em tirar informações das pessoas, e ela, tadinha, não queria contar muita coisa da vida sofrida e de perseguições que teve  – eles saíram do egito em 1956 quando o nasser nacionalizou o canal e tornou a vida dos judeus mais dura.

mas tem um episódio que se repetiu inúmeras vezes e que me faz lembrar dela sempre. como minha família deixou o egito sem praticamente nada, depois de tomar uma decisão às pressas e de conseguir transformar alguma coisa em dinheiro para trazer para a américa do sul (o destino era o uruguai, só depois veio a ideia do brasil), houve períodos muito difíceis. por isso, imagino (nunca foi muito falado), ela sempre dizia, ao nos servir comida (éramos três netos, e desde 2001 somos quatro!) que “deixar a comida no prato é deixar a sorte para trás”. e nos fazia comer até o último grão!

hoje, sempre que como alguma coisa e fica algo no prato, lembro especialmente dela e dessas “broncas”. é uma lembrança cheia de carinho, embora naquela época odiássemos ouvir o sermão!

marcella ferro de toueg, nome imponente e pomposo para uma senhora frágil. para nós, em misturas de idiomas que nunca pudemos explicar, era apenas “nona”. assim mesmo, no italiano. mas o “boa noite” dávamos em francês: “bonne nuit, nona”. ela respondia com o sotaque forte que não perdeu mesmo depois de quase 50 anos no brasil: “bona note”.

por maurício mininel

quem conheceu minha avó ou teve uma “nona” como eu tive, vai se identificar com estas palavras que a representam:

amor
protetora
mãezona
puxa saco
belenzinho
santos
guarau
guaiuba
dia das mães
dia dos pais
natal
ano novo
páscoa
aniversário
domingo
nhoque
molho com carne
maionese
pudim de leite condensado
torta de maçã
mexirica
gelatina
tostex
café com leite pochado
porrete
turbante
laquê
batom
perfume
colares e brincos
jogatinas de carta
bonecos de batata
roupas de falcon
radio de pilha
tic tac do relogio
joelmir bettin
bocas largas
PALMEIRAS

minha avó em palavras: é só pegar cada uma e lembrar de muitas histórias, deliciosamente vividas…